
CESAR PENICHE - 3:00 PM
aki vc comenta:
Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005
foto de amandinha duarte retirada do fotolog belem
O amor é tudo...
Temos a mania de achar que o amor é algo que se busca. Buscamos o amor nos bares, buscamos o amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus.
Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas platéias dos teatros.
Ele certamente está por ali, você quase pode sentir seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor constrói,só o amor salva, só o amor traz felicidade.
Há quem acredite que amor é medicamento. Pelo contrário. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproxima, e, caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza, ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima.
Você já ouviu muitas vezes alguém dizer:
"Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu". Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.
O amor, ao contrário do que se pensa, não tem de vir antes de tudo.
Antes de estabilizar a carreira profissional, antes de fazer amigos, de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir de seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando, na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir, sem máscara e sem fantasia.
É esta a condição. É pegar ou largar. Para quem acha que isso é chantagem, arrisco-me a sair em defesa do amor:
Ser feliz é uma exigência razoável, e não é tarefa tão complicada. Felizes são aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade.
Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipe encantados.
O amor é o prêmio para quem relaxa.
Para completar, cito um famoso jornalista e escritor americano, Norman Mailer: "As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas."

CESAR PENICHE - 5:56 PM
aki vc comenta:
Terça-feira, Fevereiro 15, 2005
hoje o texto recebi por e mail por uma amiga leiam e deixem seus comentarios
Durante sua peregrinação a Meca, um homem santo começou a sentir a presença de Deus ao seu lado. No meio de um transe, ajoelhou-se, escondeu o rosto, e rezou:
- Senhor, quero pedir apenas uma coisa na minha vida: que eu tenha a graça de jamais ofende-Lo.
- Não posso conceder esta graça - respondeu o Todo-Poderoso.
Surpreso, o homem quis saber o motivo da recusa.
- Se você não me ofender, não terei motivos para perdoa-lo - escutou o Senhor dizer. - Se eu não preciso perdoa-lo, você em breve esquecerá a importância da misericórdia para com os outros. Por isso, continue o seu caminho com Amor, e deixe-me praticar o perdão de vez em quando, para que você também não se esqueça desta virtude.
A história ilustra bem os nossos problemas com a culpa e o perdão. Quando crianças, sempre escutávamos nossa mãe dizendo: ?meu filho fez tal bobagem porque seus amigos o influenciaram. Ele é uma pessoa muito boa?.
E desta maneira, nunca assumimos a responsabilidade por nossos gestos, não pedimos perdão ? e terminamos esquecendo que também devemos ser generosos quando o outro nos ofende. O ato de pedir perdão nada tem a ver com o sentimento de culpa ou covardia: todos nós cometemos erros, e são justamente estes passos em falso que nos permitem melhorar e progredir. Entretanto, se somos demasiado tolerantes com nossas atitudes - principalmente quando elas terminam ferindo alguém - terminamos isolados, incapazes de corrigir nosso caminho.
Como afastar a culpa, mas ao mesmo tempo ter a capacidade de pedir perdão por um erro?
Não existem fórmulas. Mas existe o bom senso: devemos julgar o resultado de nossas ações, e não as intenções que tivemos ao realiza-las. No fundo, todo mundo é bom , mas isto não in teressa e não cura os ferimentos que podemos causar. Uma bela história ilustra o que quero dizer:
Quando era pequeno, Cosroes tinha um professor que conseguiu fazer com que se destaca-se em todas as matérias que aprendia. Certa tarde, o mestre - aparentemente sem motivo - castigou-o com toda severidade.
Anos depois, Cosroes subiu ao trono. Uma das suas primeiras providências foi mandar trazer o mestre de sua infância, e exigir uma explicação para a injustiça que cometera.
?Por que me castigaste sem que eu merecesse??perguntou.
?Quando vi tua inteligência, soube logo que irias herdar o trono de teu pai?, respondeu o antigo professor. ?E resolvi mostrar-lhe como a injustiça é capaz de marcar um homem para o resto da vida.
?Como você sabe o que isso significa? continuou o mestre, ?espero que jamais castigue alguém sem motivo.?
Isso me faz lembrar uma conversa que tive durante um jantar em Kyoto. O professor coreano Tae-Chang Kim comentava as diferenças entre o pensamento ocidental e oriental.
?Ambas as civilizações tem uma regra de ouro. No Ocidente, vocês dizem: farei para meu próximo aquilo que gostaria de fazer para mim. Isto significa: aquele que ama, estabelece um padrão de felicidade, que tenta impor a todos que se aproximam.
?A regra de ouro do Oriente parece quase igual:não farei ao meu próximo aquilo que não desejo que ele faça comigo. Mas ela parte da compreensão de tudo aquilo que nos deixa infelizes, inclusive ter que obedecer o padrão de felicidade imposto pelos outros - e isto faz toda a diferença.
? Para melhorar o mundo, não impomos uma maneira de demonstrar nosso amor, mas - isto sim - de evitar o sofrimento alheio. ?
Portanto, respeito e cuidado ao lidar com o nosso irmão. Disse Jesus: ?é pelos frutos que se conhece a árvore?. Diz um velho provérbio árabe: ? Deus julga a árvore por seus frutos, e não por suas raízes?. E diz um velho provérbio popular: ?quem bate esquece, quem apanha nunca esquece.?

CESAR PENICHE - 6:26 PM
aki vc comenta:
Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005
OS PALAVRÕES
NOSSO VOCABULÁRIO
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos
e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com
a maior felicidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo
fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que
vingará plenamente um dia.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de
muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é
quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o Universo é antigo pra caralho, eu gosto de
cerveja pra caralho, entende?
NO GÊNERO DO "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta
negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" é tampouco o
nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade. "Não, absolutamente não!" o
substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te
libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse
em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro
pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um
definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O
impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a
turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o "Porra Nenhuma" atendeu tão plenamente as situações onde
nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o susto
escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível
imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como
comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "Porra Nenhuma", como você podem ver, nos prevê sensações de incrível bem estar inter ior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.
São dessa mesma gênese os clássicos "Aspone", "Chepone", "Repone" e,
mais recentemente, o "Prepone" - presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um
"Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim,
cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante
qualquer um "Puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu
eixo.
Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a
atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou safar de maiores
dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "Vai tomar no cu"? E sua maravilhosa e
reforçadora derivação "Vai tomar no olho do seu cu!". Vocês já
imaginaram o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega!
Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida,
sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face,
olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior
poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais
avassaladora ainda: "Fodeu de Vez!". Você conhece definição mais exata,
pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo
imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez
proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de
alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo
bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve um sirene de polícia atrás de você mandando você parar. O que você fala?: "Fodeu de Vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inver samente
proporcional à quantidade de "Foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "Foda-se!" O "Foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo?
Então "Foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo?
Então foda-se!". O direito ao "Foda-se deveria estar assegurado na
Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.
Millôr Fernandes.

CESAR PENICHE - 10:36 PM